segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Voltando ao Brasil da Bagunça


Autoestrada portuguesa da concessionária Brisa.

Onde Está a Miséria em Portugal?

É bom voltar ao nosso Brasil da bagunça. Dizem que os nossos irmãos portugueses são isso, isso e aquilo. Fiquei 10 dias em Portugal procurando uma casa miserável de madeira, como existe nas periferias das cidades brasileiras. Procurei e procurei. E não consegui achar. Onde, afinal, está a miséria em Portugal?

É claro que existe pobreza (e não miséria) em Portugal, gente humilde que mora nos edifícios decompostos e decadentes das grandes cidades -- há um programa forte de manutenção e conservação de velhos prédios nas grandes cidades portuguesas -- mas o interior de Portugal é praticamente todo padronizado. São casas boas de alvenaria que se espalham pelos pequenos sítios.

E as rodovias? Ah, as rodovias! Impressionante, a malha rodoviária portuguesa dá de 1000 a zero na do Brasil. As autoestradas, com pistas duplas, que ligam o pais de sul a norte, de leste a oeste são magníficas e todas elas com pedágio, cobrado pelas concessionárias privadas desse serviço que é público. O vivente paga o que efetivamente utiliza.

E se o sujeito quer ir por outros caminhos, mais pitorescos e simples, pode ir, porque existem vias alternativas às autoestradas.

E, além disso, eles têm boas ferrovias. Onde estão as ferrovias brasileiras?

Mas é bom voltar ao Brasil da bagunça. A gente sente saudade da nossa impressionante espontaneidade.

Ontem estava um calor infernal no Galeão e o cabra da Polícia Federal foi logo dizendo: É bom vocês irem tirando os casacos porque faz 41 graus lá fora e o ar condicionado do Galeão está estragado.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Cenas do Cotidiano Lisboeta


Os portugueses sabem dar bons nomes aos sítios.


Ora, pá, vão livre maior do que o do Masp !


Todos ficam impressionados com o Oceanário!

Sempre tem um pássaro na cabeça do Marques do Pombal.

Cenas Lisboetas


Os Beatles na Rua Augusta


A carruagem de Dona Maria, a Louca. Sim a imagem está tremida.

Quem foram os idiotas que tiraram de circulação os bondes das cidades brasileiras?


Protesto na frente da "Brasileira" ali no Chiado. A gerência do estabelecimento é acusada de abusar de seus empregados.

Aqui como Lá


Todos os taxistas de Lisboa dizem a mesma coisa: o problema de Portugal é a corrupção.

domingo, 1 de novembro de 2009

Argentina Santos - Fadista



Estive lá agora. No início do Alfama, o grande bairro de Lisboa, o berço do fado. Boa comida, bom vinho e bom fado. A dona se chama Argentina Santos.
Maria Argentina Pinto dos Santos, nasceu em Lisboa, na Mouraria (fre­guesia do Socorro), em 1926.Desde 1950 que se mantém à frente do seu restaurante típico “A Parreirinha de Alfama”, sendo considerada uma excelente cozinheira.Argentina Santos só iniciou a sua carreira artística depois da aber­tura do seu restaurante, cantando com sucesso para os frequentadores da casa. De facto, graças à autenticidade das suas interpretações e a um estilo muito pessoal, logo se impôs como uma das mais dotadas e prometedoras fadistas da época, tornando-se desde então, muito apreciada como intérprete do fado clássico, na linha das cantadeiras afamadas do passado.Pela Parreirinha de Alfama passaram as mais consagradas cantadeiras de fado, aliás as paredes estão decoradas com molduras com as fotos de todas elas. Homens só Marceneiro e Júlio Peres.Os fados As Duas Santas (letra de Augusto Martins e música do Fado Franklin) e Juras (letra de Alberto Rodrigues e música de Joaquim Campos) foram, entre outros, grandes êxitos seus.Gravou o seu primeiro disco em 1960 cantando conhecidas composições como Chafariz do Rei, Quadras (de António Botto), Naquela Noite, Em Janeiro, Amar Não é Pecado, Dito por Não Dito, Passeio Fadista, A Grandeza do Fado, Não Me Venhas Bater à Porta, Mágoas Com a Vida, Reza, Quadras Soltas e Os Meus Passos.Tendo-se embora confinado às suas actuações na Parreirinha de Alfama e a uma ou outra intervenção em festas públicas e particulares, Argentina Santos não deixou, por isso, de se tornar conhecida e apreciada como cantadeira castiça. Nas últimas décadas tem tido umas deslocações ao estrangeiro, onde também tem agradado.
Do Blog Gente do Fado.

A Lógica Portuguesa


Bairro do Alfama


Motorneiro de Bonde

Elevador de Santa Justa na Baixa.


Igreja no Alfama
O impressionante Oceanário no Parque da Expo.

Às vezes é melhor não ter a resposta do que ter a resposta errada.

A lógica portuguesa é diferente.
Eu pergunto, quanto custa um taxi até o centro?
Não sei, disse a dona no aeroporto.
Aproximadamente, senhora, insisto.
É impossível dizer, senhor, depende do movimento do trânsito.

No Alfama se avista o Castelo de São Jorge em cima do morro.
Existem duas ruas que sobem para a parte alta.
Pergunto para a típica senhora de cabelos brancos e roupa preta:
Qual das duas me leva ao castelo?
Não sei, senhor.
Mas o castelo está ali -- aponto - qual das ruas me leva até lá?
Não sei senhor, nunca estive por lá!

A lógica portuguesa parece ser esta: eles só respondem quando têm certeza.
Se existe dúvida, se a informação pode ser equivocada, eles preferem não responder.
Claro, não se pode generalizar.

No mais, Lisboa é linda, é limpa, é calma.
Pode-se circular pelo centro da cidade na noite com razoável tranquilidade.
E ontem foi a noite de Halloween.
Essa onda americana não afeta apenas os brasileiros.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pois, Fui, Mas Volto!


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

"Four More Years" Para a Direita Alemã


O culto e educado povo alemão concedeu à direitista Angela Merkel mais quatro anos de governo.


Está Provado que Só é Possível Filosofar em Alemão

Se existe algum país verdadeiramente culto neste mundo é a Alemanha. Não está errado Caetano quando diz, na música "lingua", Está provado que só é possível filosofar em alemão. Pois, então.

Construiu-se no Brasil a "falsa noção" de que ser de direita significa ser fascista, ser nazista, ser totalitário, ser contra o aborto, ser a favor da pena de morte e defensor da família, de Deus e da propriedade. Essa falsa noção foi impulsionada, no nosso país, sobretudo na época do regime dos governos militares -- que foram sim de direita, ou de extrema direita.



Ser de direita, hoje, não é bem isso. O professor José Hildebrando Dacanal, um direitista assumido, no programa da Conversas Cruzadas da TV Com (Tv comunitária da RBS no RS) esta semana definiu bem o que é ser de direita hoje no Brasil: é ser, por exemplo, a favor que os alunos com dinheiro paguem as universidades públicas, que os aposentados paguem uma contribuição para suas aposentadorias, que o ensino seja bom e universal para todos os brasileiros.

Também se construiu aqui outra falsa noção: de que as pessoas cultas, educadas, evoluidas têm a tendência de votar na esquerda. Outro pensamento equivocado é que também foi gerado pela época da ditadura militar, pois os votos que alimentavam as urnas dos governos militares vinham das partes mais pobres do país, dos grotões nordestinos, dominado pelos coronéis e dos lugares socialmente mais atrasados. A população urbana, naquela época, votava no MDB, contra o governo que era da ARENA. Hoje, as populações oriundas dos grotões do Brasil votam em Lula e no PT.

Mas, voltando ao tema do post, a Alemanha, como bem se sabe, é um país culto, educado, com bom nível de vida, com boa consciência social e esta Alemanha culta, educada, preparada está elegendo para ser governada por mais quatro anos a chanceler Angela Merkel, 55 anos, ela nasceu na Alemanha Oriental e que foi reeleita, nesta quarta-feira (28), para um novo mandato pelos deputados da Bundestag (Câmara Baixa do Parlamento). Merkel encabeça uma coalizão de centro-direita entre a sua CDU (União Democrata-Cristã), o aliado bávaro CSU (União Social-Cristã) e o FDP (Partido Liberal Democrata). Essas legendas obtiveram 332 das 622 cadeiras de deputados nas legislativas de 27 de setembro.

Como é que a nossa complicada esquerda explica isso?



Não, o redator deste Blog não se considera de direita, mas um liberal de esquerda e se fosse alemão votaria no Partido Social Democrata (SPD).

O Ninho do Estado "Global Player" e o Dom da Desconfiança




Continuo leitor do pensamento de esquerda. E concordo com eles acerca de certas idéias. Uma delas é a de que o governo Lula concluiu a "modernização reacionária" do Brasil iniciada por Getúlio Vargas nos anos 30, como disse o professor sociólogo Luiz Werneck Vianna em matéria publicada na Folha de hoje.

Para Werneck Vianna, o presidente lidera uma "comunidade fraterna sob comando grão-burguês", em que ele "cimenta a unidade de contrários", mas com a hegemonia concedida ao grande capital rural e urbano.

A esquerda adora dizer que o governo Lula é um governo em transformação, um governo em disputa, tendo em vista a participação multifuncional de grande diversidade ideológica. Exemplo, o Ministério da Agricultura é ligado ao agronegócio e o Ministério da Reforma Agrária é ligado aos interesses do MST.

Segundo Werneck, ainda dentro dessa ótica, o Brasil se tornou um "global player" e vive a "hora da virada". "Vamos para uma escala de desenvolvimento que vai reiterar as mais doces expectativas que acalentamos nos anos 50 e 60". O problema, continuou, é que todos os setores "se aninharam no interior do Estado", do agronegócio aos sindicatos, passando pela indústria paulista. Esse Estado "verticalizado e centralizado", por sua vez, se diz "representante de todos", o que esvaziaria o debate público."A arca do tesouro vai servir a quem?", perguntou, referindo-se ao petróleo do pré-sal e às antigas demandas por justiça social. "Vamos organizar o capitalismo numa social-democracia avançada. Sim ao Estado forte, mas sob controle da sociedade, não sobreposto assimetricamente a ela", pregou.

No mesmo encontro o presidente do IPEA, o complicado Márcio Pochmann, disse há agora "uma maioria política" capaz de deixar para trás o projeto de "integração passiva e subordinada" do Brasil ao mundo. Mas, para ele, ainda está em jogo que tipo de desenvolvimento o Brasil terá. "Teremos a mesma dinâmica do século passado, baseada em casas, carros, bens de consumo duráveis? Ou um desenvolvimento ambientalmente sustentável?", perguntou.
Pochmann defendeu que a disputa entre PT e PSDB pela "condução do atraso brasileiro" na eleição de 2010 definirá a continuidade do projeto de "capitalismo organizado" ou a volta à "financeirização" não produtiva. Os possíveis candidatos tucanos "têm menor possibilidade de se aliar às forças do produtivismo", disse.

O que irrita no pensamento de uma certa esqueda é o dom da desconfiança. Quem disse que o futuro presidente da república, seja ele quem for, vai destruir completamente todos os projetos do governo Lula? Ou de que -- quanta besteira Pochmann!!! -- que o canditado tucano vai ter dificuldade com as forças do produtivismo???

Quanta tolice, mesmo que Serra seja eleito -- e ele, convenhamos, não é nenhum "neoliberal" -- ele deve manter uma certa linha de independência e autonomia do Brasil em relação aos outros países, na ótica de um capitalismo mais organizado. No fundo, no fundo, o problema que está por trás de tudo isso é gestão e, sobretudo, gestão pública, o grande político, no mundo do "global player" é exatamente aquele que tem mais capacidade de gestão da coisa pública. E um bom gestor tem de ter certos atributos e, talvez, o mais importante é ter coragem.

Chapa Puro Sangue Tucano




Leio no Blog do Josias que o governador José Serra -- que ontem aprovou uma lei bem legal que disciplina a meritocracia no ensino público -- parece que está deixando de ser sonolento.
Segundo o bem informado Josias -- isso não é fofoca -- o Serra, nas conversas privadas, quer que Aécio Neves seja candidato a vice presidente.
Josias transcreve uma conversa privada entre Serra e um político do Democratas:

O interlocutor do DEM foi ao ponto:
— O partido sente insegurança na sua candidatura. Não sabemos se você é o candidato ou não. Você é o candidato?
— Eu sou o candidato, Serra respondeu.
O dirigente ‘demo’ emendou uma segunda pergunta:
— Posso dizer isso à minha tropa?
— Pode dizer, Serra completou, em timbre categórico.
Na sequência, sem que ninguém o provocasse, Serra disse que, a depender do seu desejo, Aécio Neves vai à chapa de 2010 na condição de vice.
Serra foi lembrado acerca do óbvio: é preciso combinar com os russos. No caso do PSDB, o "russo" é mineiro.
Recordou-se a Serra que o governador Aécio Neves recusa o papel secundário na chapa. Prefere ser protagonista no Senado a coadjuvante no Planalto.
Serra concordou. Mas deu a entender que não jogou a toalha. Espera que a conjuntura quebre as resistências de Aécio."

Os Monstros e o Perigoso Campo da Subjetividade


Ainda sobre as "monstruosidades" de Porto Alegre, artigo de Paulo Amaral, a obra acima é dele, publicado hoje na ZH.


Sobre arte pública

Voltaire Schilling, amigo querido e admirado e uma das mentes mais brilhantes de nosso Estado, adentra, com seu texto “A capital das monstruosidades”, o perigoso campo da subjetividade na apreciação do universo das artes visuais. Por que, e como, classificar o que seja a arte “esteticamente válida”, ou ainda, passível de ser exposta em logradouros públicos? A pergunta, feita desde sempre, registra alguns momentos enigmáticos na História. Para citar um deles, refiro o Salão dos Recusados, de 1863, quando o Almoço sobre a Relva, de Manet, quebrando o rançoso ritmo acadêmico da pintura da época, não foi aceito para o Salão de Paris do mesmo ano. Tratava-se, então, de um quadro considerado escandaloso, quase incompreensível no universo habituado a uma figuração estética cômoda, a um establishment aristocrático e pretensamente religioso da sociedade francesa, que, pouco depois, num mea-culpa, render-se-ia aos novos e inevitáveis modelos de manifestações das artes visuais, e também da literatura, a exemplo de Madame Bovary, de Flaubert, e de Nana, de Émile Zola, autor de J’Accuse, importante manifesto de época em defesa do judeu Alfred Dreyfus, julgado e condenado precipitadamente.Meio século depois, Hitler mesmo, em sua cruzada estética, baniu, dentre outras, a escola cubista, da qual Picasso, com sua magistral Guernica, emergiu como o maior talento artístico do século 20. E por aí vamos num rosário de mudanças que os tempos sempre reclamam.Voltando aos nossos pagos, e analisando o conjunto de obras que Voltaire critica com verve apaixonada, vejo em sua crítica, sobretudo aquela relativa ao monumento situado no Parcão, uma reprimenda extemporânea à burguesia que encomendou ao então jovem e já consagrado artista Tenius uma das obras que caracterizam nossa cidade, assim como outra belíssima, o Monumento aos Açorianos, do mesmo autor, esta comissionada pelo poder público, e que Voltaire, felizmente, não refere em seu texto crítico. Com relação ao Timão, obra do genial Gustavo Nackle, Voltaire se ressente de que no lugar dela não esteja um busto próprio do Classicismo que, embora enterrado há anos, será para sempre referência no desenvolvimento da arte de todos os tempos, os idos e os futuros.A arte é assim, ela copia, porém sempre de forma renovada. Não trata da captação de modelos óbvios, mas, muito antes, da exacerbação do imaginário, daquilo que não foi criado, da mensagem nova. As Bienais – e aqui estamos diante de mais uma delas – não valem pela consagração do feito, mas pela contestação do status quo, do que foi ontem e não mais pode significar hoje. Num mundo crivado por interrogações, dentre as quais a que afligia Gauguin – “Quem somos, de onde viemos e para onde vamos ?” –, é impossível a inércia do pensamento, e a arte nova, se pudermos chamá-la assim, cumpre o papel de ornar o inevitável percurso do pensamento contemporâneo. Se o Direito Penal, citando as palavras de Schilling, não se preocupou em classificar como criminoso hediondo quem de propósito fabricasse a feiura, é porque nunca pôde – como nunca poderá – frear os desígnios da criação da arte em sua plena liberdade.


terça-feira, 27 de outubro de 2009

O Cara se Acha



Desde que Obama chamou Lula de "o cara", ele se acha quase um Deus. Talvez um demiurgo. Hoje no aniversário de 64 anos ele arriscou no trompete da banda da Guarda Presidencial. O som deve ter saído bem arranhado. Não é fácil tocar trompete. É necessário ter pulmões e ouvido. Lula é o sonho do mundo moderno. O cara que veio de baixo e chegou lá em cima. Nesse sentido, nada contra ele. É até admirável. O problema é quando o "cara" começa a se achar como o rei da cocada. Tudo o que ele diz é o que é. E tudo o que ele faz é o correto, o certo. A sociedade moderna é da imagem rápida, ela deixou de ser letrada e se transformou em tecnológica. Lula nunca foi um homem letrado, nunca gostou de ler, de aprender, de pesquisar, de artes, de cinema, de ter uma vida intelectual mais ativada e por isso -- talvez -- ele encarne muito bem o homem moderno, que se manifesta pela imagem. O que importa é o "cara" tocando trompete. Collor fazia mais ou menos isso, se comunicava com a sociedade brasileira pela imagem de destemido, aquele que tem tudo roxo. É essa a imagem que fica e que gera a popularidade. E o que diz o "cara" além do discurso simplista e fácil? Nada, absolutamente nada.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Arrumando as Malas



Rumo a Portugal

O redator deste Blog está arrumando as malas para uma viagem de 10 dias a Portugal. Aproveitando, of course, o feriado de finados e a baixa do dólar. O notebook vai ser carregado numa mochila com cabo usb para conexão com câmera fotográfica. Algumas fotos serão expostas, pois pois, neste Blog. Não vou ser uma espécie de Maitê Proença que fez críticas duras e grosseiras a nossos irmãos lusitanos. Muito pelo contrário, quero explorar, com olhar de viajante, todos os cantos, recantos, sabores, estradas e curiosidades. Dizem que os vinhos portugueses do Alentejo, da Extremadura, do Dão e do Douro estão em ótima fase. Vamos, pois, prová-los.

A última vez que estive em Portugal foi em 1985, de mochila nas costas, utopias na cabeça e cartão de Europass no bolso. Pousava sempre nos Albergues da Juventude (Youth hostels), sendo que alguns eram localizados em velhos castelos e casas antigas. Um bom local para se fazer grandes amizades. Cruzei a fronteira com a Espanha e desci na estação ferroviária da simpática e inesquecível Vila Real Santo Antônio, no Algarve, onde a areia é fina como as praias do sul do Brasil. Era o início do verão de 85. Depois visitei Lisboa e Coimbra e retornei para Madri. Sempre repeti para mim mesmo: vou retornar a Portugal. Eu sei, os tempos são outros. A moeda do país não é mais o escudo e os portugueses respiram os bons tempos do mercado comum.

Já estou com novo passaporte que é azul como dos americanos, mas com validade de apenas 5 anos (por que apenas 5 anos?) e já fiz todas as reservas possíveis e recomendadas, tudo via internet, porque os custos são muito mais baixos. É possível se hospedar em hoteis razoáveis (do tipo hotel boutique) a preços bem acessíveis.

Vai ser uma viagem de estrada. A rota já está razoavelmente feita, com a possibilidade de pequenas alterações ao longo do percurso. O circuito vai ser entre Lisboa até o norte do Porto (região de Braga) com passagens por Sintra, Leiria, Alcobaça, Coimbra, Nazaré, Figueira da Foz, Aveiro, Amarante, Matosinhos, Braga e Viana do Castelo. Viajo no final desta semana e por enquanto tenho de arrumar as malas e acertar os ponteiros por aqui. E não é mole acertar os ponteiros.

No Uruguai Vai Ter Segundo Turno




As últimas do Uruguai:
Vai ter segundo turno entre Mujica e Lacalle, este recebeu o apoio do colorado Bordaberry, que tirou 3º lugar..
A Frente Ampla de Mujica perdeu a maioria parlamentar;
Não foi aprovada a anulação da Lei Caducidad (Lei da Anistia).

Dormindo e Roncando em Cima do Muro


Jean na Folha hoje.

Uma Bienal "Interessante"


A Band of Ghosts de Yun-Fei Ji


La Suprema Intangible de Fermín Enguía


Por que a Bienal do Mercosul não se chama Bienal de Porto Alegre?

Perambulei ontem por duas instalações da 7ªBienal do Mercosul e que se chama "Grito e Escuta". Visitei apenas as exposições do Santander e no Margs na Praça da Alfândega que se prepara para receber a feira do livro. O vivente que gosta de audiovisual tem que se dirigir à Mostra "Projetáveis" no Santander e aquele que gosta de gravuras, artes plásticas etc... ao Margs onde está o "Desenho das Idéias".

Geralmente quando se vai a uma exposição e não se tem muito a dizer, a gente diz: é interessante, essa palavra que diz tudo, mas não diz nada.

Os "Monstros" de Porto Alegre


"Casa Monstro" de Henrique Oliveira.


Cuias de Saint Clair Cemin




Escultura Olhos Atentos de José Resende.




Escultura de Carlos Tenius no Parcão em Porto Alegre.
Na provinciana Porto Alegre qualquer debate chama a atenção. A moda agora é discutir as "monstruosidades" de alguns monumentos que a cidade oferece. Quatro dessas "monstruosidades" estão acima. Será que esses trabalhos são mesmo "monstruosos"? Quem tocou fogo na fogueira da estética guasca foi o historiador Voltaire Schiling que escreveu o seguinte artigo na ZH de domingo.


A capital das monstruosidades

Desde que Marcel Duchamp, um ex-artista cubista, francês de nascimento que escolheu os Estados Unidos como residência, mandou um urinol para ser exposto numa galeria de Nova York e, quase em seguida, em 1915, montou uma roda de bicicleta equilibrada sobre um pequeno banco e a fez passar por obra de arte, abriu-se a Caixa de Pandora dos horrores estéticos que a partir de então invadiram o cenário das exposições de arte.Para acentuar ainda mais o seu deboche para com o que até então se entendia como arte, Duchamp, um pândego, um moleque crescido, pintou um belo bigode numa imagem da Mona Lisa de Leonardo da Vinci, ícone da pintura ocidental. Como ele não foi confinado num manicômio nem encarcerado por ofensas ao patrimônio estético (interessante observar que nunca o Direito Penal preocupou-se em classificar como crime hediondo quem de propósito fabricasse a feiura!), parte da vanguarda artística ocidental tomou-o como um profeta dos novos tempos. Estabeleceu-se então um deus nos acuda.Todavia, o que particularmente nos chama a atenção como cidadãos desta nossa capital, que mais uma vez se vê intimidada pelo flagelo de uma nova “instalação”, é a notável concentração de “esculturas” e “monumentos” absolutamente espantosos. Um pior do que o outro.Nosso calvário começa por aquela mandada erguer pelos burgueses do bairro Moinhos de Vento para celebrar sua vitória em 1964 que se encontra no Parcão (homenagem ao marechal Castello Branco, mas que também pode referir-se ao desembarque de um extraterrestre), chegando ao hediondo “timão” situado na rótula que antecede o museu Iberê Camargo.Aliás, o primeiro “timão”, que parecia ter esterco como matéria original da sua composição, foi destruído pelos vileiros do Morro Santa Tereza, certamente indignados em terem-no nas vizinhanças (sofriam de uma injusta punição, além da pobreza tinham que encarar diariamente o exemplo da medonhice).Este colar sem fim de mau gosto que nos assola ainda é composto pelo “cuiódromo”, encravado na rótula da Praça da Harmonia (obra que por igual pode ser entendida como a exaltação de um superúbere de uma vaca premiada), e por um tarugo de ferro enferrujado que adentra o Rio Guaíba nas proximidades da Usina do Gasômetro e que se intitula, pasmem, Olhos Atentos.Nem os que foram perseguidos pelo regime militar escaparam destas maldades estéticas. O “monumento” que os lembra, erigido no Parque Marinha do Brasil, nos faz supor que eles continuarão atormentados ainda por muito tempo mais.A gota d’água derradeira destas perversidades que acometem contra nós, pobres porto-alegrenses, foi a inauguração recente da Casa Monstro, situada na Rua dos Andradas. Pelo menos o autor, um jovem paulista, enfim alguém sincero no ramo, não a escondeu atrás de um título esotérico ou poético: é monstruosa, sim!Trata-se da reprodução de um tumor que, inchado, é expelido pelas aberturas da construção e vem se mostrar aos olhos dos passantes, tal como se fora um abdômen de um canceroso recém aberto pelo bisturi de um cirurgião. Como se vê, uma maravilha!Minha interrogação, depois de passar rapidamente os olhos sobre este vale de horrores que nos circunda, é por que Porto Alegre, cidade aprazível, moderna, povoada por gente simpática, habitada pelas mulheres mais belas do país e que abrigou artistas como Vasco Prado, Xico Stockinger e Danúbio Gonçalves, termina por excitar o pior lado de muitos que por aqui vêm expor?Dizem-me que eles deixam estas abominações como doação (por não encontrarem compradores e não quererem arcar com o translado) e a infeliz prefeitura, constrangida, não tem como lhes dizer não.Faço desde já um apelo ao secretário municipal da Cultura, Sergius Gonzaga, se este ano tal ameaça se repetir, mobilize-se. Levante recursos, promova uma ação entre os amigos da cidade para despachar tais coisas para qualquer outro lugar. Senão, peça socorro à ONU. Porto Alegre, aliviada, lhe será eternamente agradecida.

Eduardo Veras, crítico de Zero Hora, replicou com o seguinte artigo publicado hoje no jornal:

Entulhos nossos de cada dia

É sempre bem-vindo o debate sobre a relação entre arte e cidade, e é bom que ele não seja feito apenas por especialistas, aqueles que têm repertório e estudam a matéria. O professor Voltaire Schilling comete, porém, erros graves no artigo publicado ontem em ZH, os quais comprometem sua argumentação. Apresenta como se fossem iguais obras de naturezas diferentes. Nenhuma das que ele menciona corresponde ao que ele pretende: entulhos deixados em Porto Alegre porque não se tinha destino melhor para eles, como se fossem carros alegóricos abandonados após o Carnaval. O historiador confunde, por exemplo, esculturas que são frutos de concursos públicos promovidos pela prefeitura (na mesma linha dos concursos que se faz, por exemplo, para a construção de um prédio municipal, com edital, concorrência e banca de avaliação) e uma intervenção que está na cidade em caráter provisório, somente até o encerramento da atual edição da Bienal do Mercosul, no final de novembro.No mesmo artigo, o autor supõe que uma escultura em bronze, na orla do Guaíba, tenha sido destruída por “vileiros do Morro Santa Tereza”, os quais estariam “indignados” pela vizinhança com a “medonhice” da peça. Ora, levando ao pé da letra o que insinua o diretor do Memorial do Estado, poderíamos supor que um cidadão que não tenha apreço pelo Laçador estaria justificado se depredasse a famosa estátua. Lembro que a obra máxima de Antonio Caringi não é uma unanimidade. Críticos mais abalizados que eu já sublinharam que o Laçador nem sequer é a mais bem-sucedida representação do trabalhador campeiro que temos na Capital – essa seria o Gaúcho Oriental, do Parque da Redenção.Enfim, o próprio de cada obra de arte é que não exista consenso em torno dela. Os critérios de avaliação da arte são móveis, não estão fixos no tempo e no espaço. Nunca é demais lembrar que os impressionistas, hoje reverenciados, os Monet e os Manet que amamos tanto, foram largamente espinafrados pelo público e pela crítica de seu tempo.Quer dizer que Porto Alegre só tem obras belas e admiráveis em seus espaços públicos? É só questão de tempo que a gente venha a se apaixonar por elas? Depende de quem vê.
eduardo.veras@zerohora.com.br


ZH fez um mural de opiniões sobre o tema. Muita gente concorda com Voltaire. Outras não. Destaco a mensagem da artista plástica Clara Pechansky:

Não concordo. O direito à livre expressão em todas as formas de cultura já foi proibido em circunstâncias sinistras como o nazismo e o fascismo. Voltaire tem o direito de não gostar das esculturas da nossa cidade, algumas criadas por importantes artistas como Carlos Tenius (Parcão), Gustavo Nakle ("timão") e Saint-Clair (cuias). É perigoso, porém, invocar o Secretário da Cultura para removê-las: artistas têm direito de expressar suas ideias, ainda que não correspondam a padrões estéticos consagrados ou ao gosto de cada indivíduo.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

De Cuba O Novo Cartismo




Ontem na livraria encontrei o livro da blogueira cubana Yoani Sanchez. , O pessoal de uma certa esquerda caduca acredita que ela é financiada pela CIA. Juro que nem sabia que ela tinha editado esse livro. Na verdade, é uma coleção dos posts que ela publicou no Blog Generación Y, que tem tradução em português. Ora, pois.

Aproveitando a oportunidade, a última postagem da Yoani, por que não?








O Novo Cartismo


As caixas de correio se parecem com as urnas eleitorais, têm uma fenda para introdução do papel e seu conteúdo - seja uma carta ou cédula de voto - recebe desrespeito parecido nesta Ilha. Apesar das limitações da correspondência, resulta mais facil fazer chegá-la ao seu destino do que com o nosso voto incidirmos no curso do país. Daí que um dos esportes mais praticados por meus concidadãos seja o de escrever suas queixas às instâncias superiores, dirigidas justamente aos causadores da maior parte dos nossos problemas.
Uma senhora escreve um longo lamento sobre a poça de esgoto que brota no pátio da escola próxima; o vendedor de pizzas denuncia por escrito o inspetor que exige dele uma porcentagem das vendas em troca de não fechar seu quiosque; aquele paciente que necessita de uma cirurgia coloca sua carta contando que está há um ano esperando entrar na sala de cirurgia. As reclamações são tantas que em muitos ministérios o recebimento de cartas corresponde a um departamento com vários empregados. Uma verdadeira inundação de folhas que repetem - sempre - o cabeçalho “Por este meio, dirijo-me ao senhor…”
De um tempo para cá apareceu a modalidade digital da carta que se faz circular pela intranet de várias instituições. De forma similar, iniciou-se
a polêmica intelectual de 2007 e agora vemos surgir os critérios inconformados de várias personalidades da cultura. Pela minha tela desfilaram a carta do ator Armando Tomey, outra do crítico literário Desiderio Navarro e uma muito boa de Luis Alberto García, que interpreta o personagem Nicanor em curtas de Eduardo del Llano. O cartismo veio substituir o referendum indispensável através do qual expressar nossas reclamações de mudança
Nossa tendência epistolar tem semelhanças com aquele movimento da Inglaterra antiga que conseguiu mais de um milhão de assinaturas para apresentar A Carta do Povo ante a Câmara dos Comuns. Os cartistas de então conseguiram pressionar para que se introduzissem certas reformas, porém tenho a impressão de que nossos memorandos são papel molhado, burla de cédula, tinta que se dilui frente a inércia estatal.

Mujica é Mujica e Tabaré é Tabaré


O ceibalito e o comicio da Frente Ampla em Montevideo, Uruguai.

Domingo tem eleição de primeiro turno no Uruguai. O favorito é José Mujica, da Frente Ampla. Ele quer liquidar tudo no primeiro turno.
Indiscutivelmente, se existe um povo educado na américa latina, esse povo é o uruguaio. O Uruguai se recupera depois de décadas parado no tempo. É um pais que praticamente não tem indústrias e sobrevive -- encurralado entre o Brasil e a Argentina -- graças às atividades rurais e aos serviços. Quem conheceu o Uruguai nas décadas passadas pode constatar a forte imigração de jovens para outros países. O Uruguai se tornou um país de velhos. E a política era sempre dirigida por dois partidos tradicionais: os Blancos e os Colorados. Até que um dia apareceu a Frente Ampla que elegeu o médico oncologista Tabaré Vazquez como prefeito de Montevidéo e depois presidente da república oriental.
Tabaré Vazquez é o típico liberal esquerdista. Ele não é radical, não faz política de ressentimento. E se o redator do Blog tivesse que escolher qual o melhor de todos os líderes esquerdistas da América Latina ficaria em dúvida entre Tabaré e a Michele Bachelet do Chile.

Tabaré fez um bom governo. Pôs as contas em ordem, atraiu investimentos industriais, incentivou a agroindústria e investiu em educação. Seu grande feito, dizem, foi ter distribuido os ceibalitos, laptops XO, para 300 mil estudantes da rede pública do ensino fundamental do Uruguai. É o Plan Ceibal. Como disse hoje na ZH o jornalista André Machado: Uma pequena mala verde e branca, que mais parece um brinquedo, pode ser vista nas mãos de milhares de crianças na Uruguai e é uma marca do primeiro governo da Frente Ampla no país. O apoio ao Plan Ceibal é uma unanimidade entre os principais candidatos e, em parte, é responsável pela provável vitória do candidato governista, José Mujica (esquerda), na eleição presidencial de domingo".

Existe, pois, uma grande diferença, José Mujica é diferente de Tabaré Vazquez. Como gosta de dizer o meu amigo Senna Madureira> uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Uma coisa é Tabaré e outra coisa é Mujica. O ex lider tupamaro é bem mais radical. Mas está na frente nas pesquisas e quer levar o primeiro turno. A Frente Ampla tem força em Montevidéo e cidades próximas. Seria o fim da picada se o Uruguai elegesse Mujica e se alinhasse com os bolivarianos chavistas.

Mujica, dizem, modificou. Passou a vestir terno e gravata e a pentear os cabelos. Meu barbeiro -- sim ainda vou ao barbeiro -- que é uruguaio disse; Mujica é tupamaro, um comunista, feio, sujo, mal cheiroso!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O Inusitado Ritual do Funeral Japonês




Meu velho amigo, Senna Madureira, me indicou o filme alemão "Os falsários". Como eu gosto muito de filme alemão fui na locadora procurar o DVD que recém chegou, mas o único que tinha já havia sido reservado para uma madame que mora aqui perto. Não tive outra alternativa senão a de procurar outro filme. Eu queria algo diferente. Nas novidades, o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009. Não tive dúvida. É esse mesmo.



O cenário é o Japão atual. Uma cidade operária, da onde se vê o Monte Fuji. O Japão é um país urbano, onde os índices de suicídio são bem altos, sobretudo, no inverno. Os japoneses têm um ritual funeral bem interessante. O corpo deve ser limpo, arrumado, pintado antes de partir. E tudo isso é feito na frente dos familiares. Alguém tem de fazer esse trabalho. O jovem Daigo Kobayashi é o cara. Ele tem talento para o trabalho que faz. Muita técnica ou arte?

É bom sair um pouco do ritual Hollywood que domina o senso comum. Respirar outros ares, olhar para outras bandas, ver como os outros povos fazem seus costumes, inclusive seus velórios. Ver a vida de outro ângulo, outras luzes, outros sons. O filme se chama "A Partida" que todos nós vamos ter um dia.