Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

O Apartamento do Olívio ( Simplorice Não é Virtude)


Leio no Blog RS Urgente o seguinte post sobre o apartamento do Olívio Dutra. Evidentemente para chamar a atenção da moçada sobre o contraste entre a Yeda -- eleita pela elite branca e obesa gaúcha -- que comprou uma casa magnífica e espaçosa utilizando-se (talvez) de fundo de campanha e o ético do Olívio que mora há anos num apertado apartamento na Av. Assis Brasil em Porto Alegre. O texto do Rs Urgente está embaixo em vermelho e depois eu comento em preto.


Um leitor do blog envia texto de Adão Oliveira, publicado no Jornal do Comércio, no dia 17 de agosto de 2005. Guarda atualidade:
Ontem (16/08/2005), vi uma foto do ex-governador e ex-ministro Olívio Dutra, tomando chimarrão, espremido na apertada sala de sua residência, na zona norte da cidade. Até aí nada de mais, não fosse o ex-bancário ter ocupado a chefia do Executivo gaúcho e o ministério das Cidades, durante mais de dois anos do governo Lula. Olívio não é mais governador e muito menos ministro, mas continua o mesmo sujeito simples de antes. O missioneiro, que mandou e desmandou em orçamentos altíssimos, não mexeu em nada que não lhe pertencesse. O cofre nunca lhe caiu nos pés. Terminadas as suas tarefas, Olívio voltava para o acanhado apartamento que um dia conseguiu comprar com os parcos salários que recebia como funcionário do Banrisul.
Olívio Dutra é, pois, um homem honesto! Nem sei porque estou escrevendo sobre isso, porque eu participo do princípio que honestidade não é virtude. Honestidade é inerente ao cidadão. Não ser honesto é um grave defeito de caráter mas, honestidade, não é virtude. Mas virtude ou não, a verdade é que Olívio Dutra é um homem intrinsecamente honesto.

Simplorice Não É virtude

Uma das coisas boas da vida é viver bem com qualidade de vida e, sobretudo, morar bem com conforto, espaço etc. Olívio Dutra ganha bem -- recebe pensão de ex governador turbinada recentemente com o aumento da Yeda -- e poderia morar melhor, mas ele não dá valor a esse aspecto material da vida. Prefere ficar morando num apartamento apertado, praticamente sem espaço. Eu não considero isso uma virtude.
O mesmo Olívio ingressou no Banrisul como escriturário e nunca galgou nas diversas décadas que ali trabalhou no banco estatal qualquer promoção. Aposentou-se como escriturário. Também não considero isso uma virtude.
Quando governador, em palestra na Fiergs ou Federasul (sei lá), o Olívio disse que nunca imaginou se tornar empresário porque considera essa uma atividade gananciosa. Também não considero esse discurso uma virtude.
Dizem que Olívio é honesto, eu nunca duvidei disso, mas definitivamente ele não fez um bom governo exatamente porque ele tem preconceito em relação ao mundo capitalista, à sociedade de consumo que, como diz o Caetano, ergue e destroi coisas boas. Se existe uma boa palavra para definir Olívio Dutra é que ele é simplório. E simplorice não é virtude.

O Complicado CPERS




Por trás de todas essas manifestações do CPERS -- que culminaram ontem com o protesto na frente da casa da governadora Yeda -- está o receio de que o governo mude, altere, modifique, flexibilize o Plano de Cargos e Salários do magistério e que foi editano no ano de 1974.
O atual plano engessa o poder do gestão do administrador público. Se, por exemplo, o secretário de educação resolver remanejar certas pessoas para o serviço público funcionar melhor, ele não pode fazer isso, porque o PCS não deixa.
A questão é que o ENEM está mostrando o enorme abismo que existe, no RS e no Brasil, entre as escolas públicas e as privadas. E essa diferença tem que diminuir e para que mais e mais brasileiros e gaúchos ingressem definitivamente no rol da qualidade de vida do bom serviço público que propicia a boa educação é necessário, com urgência, uma mudança radical nas estruturas da administração. E isso não interessa ao CPERS.
A atual secretária de educação do RS, Marisa Abreu, disse certa vez mais ou menos isso: não adiante colocar dinheiro público no ralo de uma estrutura viciada. É o mesmo que colocar dinheiro fora. Concordo com ela, é necessário primeiro mudar essa estrutura viciada e depois aportar os recursos necessários para o bom funcionamento do serviço público.
Mas essa discussão parece não interessar à direção do CPERS. Eles reduzem toda discussão a detalhes negativos da administração como as famosas escolas de latas, em contêineres. Na verdade, existem 5 escolas desse tipo no RS e elas são provisórias, porque os alunos ali ficam instalados até que se execute as reformas nos prédios. Mas tudo neste país é complicado e as reformas não começam, a burocracia impera e tudo demora. E os alunos ficam ali -- meses ou anos -- suando no sol e passando frio no inverno. Realmente um absurdo.
Então, toda a discussão que deveria ser séria fica reduzida ao seguinte chavão: "O governo Yeda, além de corrupto coloca os alunos em escolas de lata." Não existe diálogo, a truculência, a intolerência e a arrogância tomam conta e continuamos no RS divididos entre essa absurda disputa ideológica em torno do poder. Quando é que isso vai acabar?
De um lado temos um complicado CPERS, dominado pelo radicalismo do PSOL e com apoio das alas mais à esquerda do PT e do PSTU e que conta com uma presidente, a professora Rejane Oliveira, que aceitou assumir a “vanguarda” do protesto mais radical. E de outro um governo acuado, que cometeu graves equívocos políticos, e, portanto, fraco.
Por isso, o CPERS realmente virou uma máquina destinada a desgastar o governo, como bem resumiu a ZH de hoje.

Mundo Injusto


Amigo Norton
Durante anos, eu e o diagramador Norton Voloski trabalhamos lado a lado na redação da Zero. Estávamos quase sempre concentrados, eu nos textos, ele nos traços, mas volta e meia trocávamos algum comentário. O do Norton invariavelmente o mesmo:– O mundo não é justo...Eu concordava:– Não é, Norton. Não é.

Mas o ser humano não cessa de buscar a Justiça debaixo do sol. Alguns cevam suas esperanças na religião. Quer dizer: as doenças, as intempéries, as maldades dos homens, os azares comezinhos, tudo isso pode ser corrigido por Deus, desde que o crente cumpra algumas premissas. Antes do judaísmo, premissas bastante práticas e razoáveis: bastava oferecer um animal ou uma pessoa em sacrifício e, pronto, os desejos do suplicante seriam atendidos.


Porém, há cerca de três mil anos apareceram aqueles profetas hebreus. Amoz, Oseias, Isaías. Homens graves, prenhes de advertências e anátemas. O acesso à Justiça divina tornou-se mais restrito. Pela primeira vez na História, um ingrediente moral foi incluído na relação com a divindade. As boas ações seriam premiadas; as más, punidas.Por que houve essa mudança? Porque, unificado pelo meu xará David, Israel enriqueceu sob seu filho Salomão, e a pobreza só existe se existe a riqueza.


Os profetas, na verdade, eram políticos de oposição, angustiados com as diferenças de classes surgidas no reino que antes era apenas um ajuntamento de tribos. Isaías, o mais requintado deles, desenvolveu um discurso comunista, pró-reforma agrária:


“Vós sois os que consumistes a vinha. Os despojos dos pobres estão em vossas casas. Que quereis, vós que esmagais o meu povo e moeis o rosto dos pobres? Ai dos que ajuntam casa a casa, achegam campo a campo até que não haja mais lugar, de modo que habitem sós no meio da terra. Ai dos que fazem decretos injustos para arrebatar dos pobres do meu povo o direito!”


As maldições, no entanto, surtiram pouco efeito. Os ricos continuaram mais ricos, e os pobres mais pobres. O cristianismo resolveu em parte essa questão prometendo que a Justiça seria feita mais tarde, depois do passamento do crente, no Reino dos Céus, ao som de harpas e à temperatura de 15ºC. Mas ainda assim há quem não se contente com essa promessa de redenção tardia, que anseie pela Justiça aqui mesmo e agora. São os que, há mais ou menos 300 anos, acreditam nas Instituições.


A Democracia e a Lei, se é verdade que não são exatamente efetivos no combate às miríades de doenças e intempéries que se multiplicam e se renovam na Terra, deveriam regular as relações humanas e garantir uma sociedade digna inclusive para os que Isaías chamava de os pobres do meu povo.


Todos os dias, contudo, abro as páginas dos jornais e assisto aos noticiários das TVs, e lá está Sarney atrás do seu bigode, prometendo que não vai renunciar nem devolver o Maranhão; estão Lula e Collor dançando juntos, e parece bolero, parece que dizem te quero, te quero; e há listas de centenas de atos secretos do Senado; e há escândalos no governo do Estado; e no do município há omissão; e então pergunto: como acreditar nas tais Instituições?Não, não há como acreditar. Você está certo, amigo Norton: o mundo não é justo.


Crônica de David Coimbra na Zero Hora de hoje.

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Parabéns, Veron


Confusão na Casa da Yeda







Fotos pescadas do Blog Rs Urgente



Abram Alas



Hoje o CPERS, capitaneado por sua complicada e reacionária presidente, Rejane Oliveira e pessoal do PSOL foram protestar em frente à casa da governadora. Levaram consigo dezenas de pessoas.
A governadora, acuada, aparece na frente da casa segurando um cartaz:

Vocês não são professores, torturam crianças.
Abram alas que minhas crianças têm aula.

Pizzaiolos




Lula ontem:
"A turma que até pouco tempo queria privatizá-la (Petrobras) passou a defendê-la"
A CPI da Petrobras ia "acabar em pizza temperada com pré-sal. Todos eles [senadores] são bons pizzaiolos".
"O Senado só tem gente experiente. Você acha que tem algum bobo no Senado? O bobo é quem não foi eleito. Os espertos estão todos eleitos. Eu aprendi com o Ulysses Guimarães: uma vez falei pra ele que tinha muita gente que não sabe de nada. E ele me disse: "Os que não sabem de nada são suplentes. Ninguém é eleito à toa'".

ÁLVARO DIAS, senador (PSDB-PR): "O grande pizzaiolo é [o presidente] Lula. Quem transforma toda denúncia no Senado em pizza é o presidente. Ele protege e passa a mão na cabeça de todos"

JOÃO PEDRO, senador (PT-AM) e presidente da CPI da Petrobras: "Eu nem sei fazer pizza"

DEMÓSTENES TORRES, senador (DEM-GO):"O presidente Lula tem razão. Ele enquadrou o PT e ajudou a transformar o Senado numa fábrica de pizza"

HERÁCLITO FORTES, senador (DEM-PI):"Estou pasmo. O presidente estava sóbrio?"

CRISTOVAM BUARQUE, senador (PDT-DF):"Os militares mandavam prender, exilar, mas não ridicularizavam ninguém. Nos chamavam de comunistas, subversivos, o que é um elogio"

DELCÍDIO AMARAL, senador (PT-MS):"Não concordo com o presidente. O Senado tem é bons chefs"

FRANCISCO CALAZANS, Sindicato dos Trabalhadores no Comércio Hoteleiro e Similares de São Paulo e Região (Sinthoresp), "Não concordamos que a função de pizzaiolo tenha como serventia ofender quem quer que seja, isso denigre a imagem do profissional"

ADILSON BARBOSA - Associação de Pizzarias Unidas (Apuesp) :"Só digo que foi uma fala infeliz dele, não gostei. Ainda mais depois do que nós fizemos semana passada". *

*Em comemoração ao Dia da Pizza, em 10 de julho, a Apuesp promoveu na última semana uma maratona de atividades voltadas aos empresários e trabalhadores do segmento. Adílson promete que a associação rebaterá a declaração do presidente Lula em nota ainda hoje.

Yeda Contraria Interesses



No ZH on line, as fotos do protesto do PSOL e do CPERS realizado hoje na frente da casa da Yeda em Porto Alegre.

As fotos dizem tudo, pena que não estão disponíveis para cópia. Consegui apenas essas pequenas. As fotos dizem tudo, porque o protesto é de uma mínima minoria, capitaneada, evidentemente pela complicada presidente do CPERS, Rejane Oliveira -- aquela que não admite sequer debater mudança no Plano de Cargo e Salários do ano de 1974 e que engessa a gestão em educação.

Outro dia um conhecido me falou: o governo Yeda pode ter um monte de equívocos, até acho que ela colocou dinheiro de campanha para a compra da casa, mas ela está contrariando interesses e por isso todo essa revolta.

De fato, o governo Yeda contraria interesses, como se vê.

Opiniões Equivocadas




Para variar, o Diário Gauche critica o governo Yeda e o governo Lula de aceitarem o investimento de 2 bi da GM na fábrica de Gravataí, RS:
Diz o gauche:
Governo Yeda e Governo Lula resolvem um único problema do presente, a crise da GM, a crise da realização do capital da montadora, mas reservam o caos para o futuro, para o futuro de todos.
Está tudo errado.


Deixei ali meu pitaco:

Uma empresa resolve investir 2 bi para aumentar sua planta e que vai gerar empregos diretos e indiretos, fazer circular capital e um Blog de certa esquerda diz que está tudo errado. Vejam que interessante e que coincidência, as pessoas que acham que esse investimento é equivocado são as mesmas que atacam a mulher do Obama por usar cabelos lisos; que acusam , sem provas, que o centro avante louro e argentino do Grêmio é racista; que afirmam que a festa centenária de San Fermim é coisa de branco bárbaro que adora matar os bois ; que torcem o nariz para a classe média branca e obesa gaúcha que resolve passar o "finde" em Gramado/Canela, como se apenas os brancos e obesos fossem para lá. E essas mesmas pessoas se calam, omitem em seus blogs as barbáries que as tribos negras fazem na Africa, as barbáries cometidas pelos radicais muçulmanos no oriente médio e na Asia; nada dizem sobre os desastres ambientais ocorridos nas áreas de favelas etc.

Melhor fato que aconteceu nos últimos tempos foi a eleição de Obama, porque ele está colocando os pingos nos is. Derramou dinheiro público para reerguer a GM, que já venceu a concordata em poucos meses e agora está investindo, sobretudo de olho no promissor mercado brasileiro. E o próprio Obama, em discurso magistral em Gana, na semana passada tocou no ponto fundamental de toda essa história quando falou: a culpa do atraso da Africa é também dos africanos. Mas aqui nada disso se reconhece, o importante é a estratégia de alimentar o ódio, o ressentimento e o rancor.

*arte: Andreas Banderas

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

E a GM Investe 2,5 Bi na Fábrica em Gravataí -RS


Yeda, Lula e Dilma no encontro hoje em Brasília, onde a GM anunciou investimento na fábrica gaúcha. E tem gente que torce o nariz.

Alvíssaras e silêncio absoluto nos Blogs de uma certa esquerda.

Por que será?
A GM -- essa empresa que quase faliu é malvada e capitalista -- resolveu investir US$ 2,5 bilhões no Brasil até 2012. Do total dos recursos, 50% do novo investimento será desembolsado diretamente pela GM do Brasil, enquanto 30% serão financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e os 20% restantes pelo Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul). A capacidade de produção da fábrica em Gravataí aumentará dos atuais 230 mil veículos para 380 mil unidades ao ano. — A capacidade será três vezes superior à inicial (120 mil unidades), quando a fábrica foi inaugurada, em 2000.
O projeto gerará mil novos empregos diretos em Gravataí, sem contar os postos que serão criados pelas empresas que abastecem a fábrica.





Fonte ZH on line.

A Fraude e a Floresta Alagada


Floresta intacta de araucárias em 2005 na divisa SC e RS.


Floresta alagada pela barragem de Barra Grande em 2006.

Definitivamente, o redator deste blog está virando um ecochato.
É que realmente foi um absurdo o que ocorreu na divisa do RS e SC no ano de 2006.
É a demonstração que no Brasil a fraude e a corrupção sempre estão a ganhar.

O que vale mais? Uma usina hidrelétrica de 190 metros de altura com três turbinas que geram 708 MV e que custou bilhões de reais ou uma intacta floresta de araucária de 500 anos de 8.140 hectares e que foi fraudulentamente omitida no estudo de impacto ambiental (Eia-Rima)?

Na divisa entre RS e SC, em Barra Grande, no rio Pelotas existia exuberante floresta com araucárias, formação florestal integrante do Bioma da Mata Atlântica, que estava na área de influência direta da Usina Hidrelétrica de Barra Grande, cuja barragem, de 190 metros de altura, foi concluída com base numa fraude.

A obra já estava quase pronta quando o empreendedor – a Energética Barra Grande S/A -- solicitou ao Ibama um pedido de supressão das florestas a serem inundadas, quando descobriu-se que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) - documentos necessários para obter a licença de operação do empreendimento –, entregues em 1998 ao Ibama, omitiram a existência desses remanescentes de Floresta com Araucária com importantes populações naturais de espécies ameaçadas de extinção. O EIA Rima omitiu também a existência de um raro fragmento de Floresta com Araucária com alto índice de diversidade genética – informações que, considerando a legislação em vigor, poderiam inviabilizar a instalação do empreendimento.

Diante deste quadro, as ONGs ambientalistas realizaram uma visita à região e, constatando a gravidade da situação, a Federação de Entidades Ecologistas Catarinenses e a Rede de ONGs da Mata Atlântica impetraram, em setembro de 2004, uma ação civil pública na Justiça Federal de Florianópolis(SC), na tentativa de reverter esta absurda situação. Enquanto isso o governo federal assinava com a empresa um Termo de Compromisso que viabilizou a emissão de uma autorização de desmatamento pelo presidente do IBAMA.
A briga na justiça teve vários episódios, mas como a liminar nunca foi concedida, o IBAMA acabou emitindo em junho de 2005, a licença de operação da hidrelétrica, sem que a ação tivesse sido julgada, acabando assim com a esperança de salvar as florestas com araucárias e também o local das últimas populações da bromélia Dychia distachya, que desta forma foi extinta da natureza, num episódio que vai ficar marcado para sempre como a primeira extinção de uma espécie consentida pelo poder público.
fonte: Apremavi

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Que Emoção




Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (dir.) é abraçado pelo ex- presidente e senador Fernando Collor de Mello (PTB), em inauguração de adutora, em Palmeira dos Índios (AL). Em discurso, Lula criticou governantes anteriores, dizendo que faziam "política de compadrio". O presidente afirmou que seu governo não realiza investimentos ou libera recursos de acordo com o partido político de prefeitos e de governadores.

Esses cabras são mesmo companheiros.

Fonte: Terra 24 horas

E quando o povo apoia o golpe?


Manifestação contra Zelaya e a favor do golpe

Manifestantes a favor de Zelaya e contra o golpe

Fazia tempo que eu não passeava pelo Blog do Reinaldo Azevedo. Ele diz que está de férias, mas continua a postar mensagens e mensagens. O assunto recorrente é Honduras. Coloquei num Blog de uma certa esquerda uma mensagem mais ou menos desse tipo: sou contra o golpe em Honduras (eu sei, eu sei, meu ranço politicamente correto continua), mas a multidão não saiu em defesa do Zamora. O povo não quer Zamora. O povo apoia o golpe. O que fazer quando o povo apoia o golpe?

Mas Reinaldo Azevedo -- que apoia o golpe -- diz que Honduras é " o primeiro país que se levanta para repudiar o chavismo de modo claro e inequívoco. Os questionamentos sobre a forma como se deu a deposição de Manuel Zelaya são quase sempre improcedentes, já escrevi algumas vezes. Discutível, parece-me, é só a decisão de retirá-lo do país. Deveria ter ido para a cadeia quando incitou os militares a desobedecerem uma ordem judicial. Não há por que ser condescendentes com gente que usa as regras da democracia para solapar o sistema."

Definitivamente, o centro de toda a crise é a entrada de Honduras na Alba de Chávez, Evo e Correa. A aproximação de Zelaya com Chávez foi o pivô do golpe. E deu no que deu. Outro dia coloquei aqui no depósito, fotos do coupe d'etat hondurenho. As fotos mostram claramente que a multidão não está do lado de Zelaya.
Claro, vão dizer que as fotos são manipuladas pela mídia malvadona etc. mas ainda não vi até hoje -- em nenhum blog de esquerda -- fotos de multidões apoiando o retorno de Zelaya. Quem tiver essa foto, please, me mande porque eu posso sim mudar de opinião, mas me mande a foto.

'Farra do Boi" Espanhola







Fotos do Festival de San Fermin 2009, realizado em Pamplona, Espanha.


Quem é Que Seleciona o Patrocínio da Petrobrás?



O Blog da Petrobras tem novo endereço: http://www.blogspetrobras.com.br/fatosedados/

O colunista Pedro Dória pergunta: a quem servirá o blog da Petrobrás?

E o Blog responde:

"O blog da Petrobras nunca foi divulgado como “um desafio à grande imprensa“. O arquivo deste blog é um histórico de comparação entre o que a Petrobras diz e o que é publicado. Isso permite aos leitores que nos têm acompanhado avaliar se a afirmação de Dória, de que para a Petrobras “apresentar sua versão jamais foi dificuldade” se verifica na prática.
Finalmente, se no blog, para o colunista, “a informação da empresa será sempre favorável a ela, empresa“, lembramos que isso é próprio de uma conversa na qual cada um pode expor seus fatos, dados e opiniões. Cabe a cada internauta formar a sua opinião, a partir de diferentes pontos de vista. Na Internet quem seleciona é o leitor.
Ah tá.....
Em relação aos valores repassados pela Petrobrás à Fundação José Sarney, o Blog da Petrobrás responde com uma nota minúscula com a seguinte conclusão:

Isso significa que foram pagas todas as parcelas referentes ao patrocínio.
A análise e aprovação da prestação de contas dos projetos cabe ao Ministério da Cultura, que avalia inclusive a veracidade e legitimidade das notas fiscais de despesas realizadas com o projeto e recibos referentes aos recursos recebidos.


Pois é, a Petrobrás -- que tem dinheiro em caixa -- é boa de patrocínio. Na internet quem seleciona é o leitor. O patrocínio da Petrobrás quem é que seleciona?

Jornal das 7




Acordo cedo. Clico no jornal das 7. Menina de 5 anos cai do edifício, os pais foram presos, porque omissos e a câmera do prédio filmou tudo. Desviei o olhar.

Menino de 9 anos de Sapucaia, RS, morre de gripe A.

População de Belo Horizonte se prepara para receber 3000 torcedores do Estudiantes da Argentina. Jogadores ficarão isolados. A preocupação é com a gripe A.

O crime do empresário não foi solucionado. Ele foi morto em casa. A família apela para que as testemunhas apareçam. Ninguém quer testemunhar neste país.

Exame pode detectar doenças que a pessoa poderá ter no futuro. Sites americanos fazem este exame se o 'curioso' mandar via Fedex uma gota de lágrima.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Recalque


Rua principal de Gramado - e tem gente que não gosta.

Hoje no Diário Gauche a demonstração de absoluto recalque.

Evite o turismo pega-ratão
Sexta, sábado e domingo o jornal Zero Hora anunciou neve no Estado. Mas ela não veio. Nos últimos anos tem acontecido esse fenômeno. Não o da neve. Mas uma espécie de pajelança profana, promovida pela mídia (para a RBS, quase uma obsessão), com o objetivo de beneficiar o turismo basbaque da classe média branca, obesa e proprietária de pequenos automóveis adquiridos por financiamento em uma centena de meses. Cria-se assim, pouco a pouco, um novo mito no Rio Grande, que vem se juntar às demais fabulações e tradições inventadas.A manipulação de alegorias é uma prática recorrente no RS. A maior delas, o mito superlativo, reside no que se convencionou chamar de “Revolução Farroupilha”, uma revolução que jamais existiu, naqueles termos. Outra alegoria é a do “gaúcho”, uma idealização que se esquece de cumprir o que promete, além de reduzir a nossa rica pluralidade étnico-cultural à unidimensionalidade forjada de um tipo humano primário - o patrão do latifúndio.Agora, é a vez da neve abstrata. Outra promessa que nunca se cumpre. Quem não consegue garantir o frio, como pode prometer a neve? E não se trata de qualquer neve, é a “neve” de Gramadocanela, dos hotéis com tarifas de Aspen e serviços de casa da sogra, com restaurantes com preços londrinos e comida nível paradouro-de-caminhoneiro.Gramadocanela é um pega-ratão que urge ser evitado. Quer ir à Serra? Vá a destinos alternativos, não contaminados pela esperteza de alguns e outros. Vá, por exemplo, ao interior de Flores da Cunha, conheça as pequenas cantinas de vinho, a gastronomia colonial autêntica e a graça original dos descendentes de imigrantes europeus. Mas vá rápido, antes que sejam corrompidos pelos camelôs de neve em pacote turístico fake.

Meu comentário:

O circuito Gramado/Canela pode até ser uma disneylândia, mas é também a demonstração de um Brasil que pode dar certo. É local de turismo em qualquer dia da semana, de circulação de capital, de bons e variados restaurantes, cafeterias, bares e que atrai multidões. Existem no interior de Gramado e Canela zilhões de restaurantes e pousadas que gravitam por lá exatamente porque o circuito de turismo de Gramado é um sucesso. E este sucesso é feito com respeito à preservação ambiental. A rua principal de Gramado -- sem postes e com comércio de qualidade-- deveria ser a rua principal de todas as cidades brasileiras. Mas para certa esquerda recalcada quem se beneficia com isso é a "classe média branca, obesa e proprietária de pequenos automóveis adquiridos por financiamento em uma centena de meses". Que babaquice. Este talvez seja o post mais recheado de preconceito que o DG estampou.

Nova Classe Média Pentecostal



Bispo Macedo, fundador da Igreja Universal - IURD - acusado de fazer lavagem cerebral.


Anticalvinismo brasileiro

Em 1994, o controle inflacionário e as promessas que a nova moeda fez, a vários setores de uma população brasileira ainda um tanto receosa, suscitaram variadas notícias. Quinze anos mais tarde, o fenômeno do consumo volta a merecer a atenção da mídia. Endossando o vocabulário classificatório dos institutos de pesquisa de mercado, nos últimos tempos os jornais têm trazido a informação de que emerge no Brasil uma "nova classe média". Como ler esse fenômeno? Um olhar mais abrangente para a vida social brasileira permite verificar que, a partir da década de 1990, não é apenas a estratificação econômica que muda no Brasil. Dados dos Censos Demográficos produzidos pelo IBGE até 2000 mostram que a paisagem religiosa do país também está em transformação: em 1970, havia 91,1% de católicos e 5,8% de evangélicos. A partir de 1980, essa proporção se alterou de forma significativa: nesse ano, havia 89,2% de católicos e 6,6% de evangélicos; em 1991, 83,3% de católicos e 9,0% de evangélicos; em 2000, 73,8% e 15,4%, respectivamente.
No mesmo momento em que se estabelece a chamada "classe C", uma parcela significativa da população converte-se às religiões evangélicas. A coincidência dessas duas dinâmicas sugere o rendimento analítico da clássica premissa weberiana segundo a qual há uma relação entre ética religiosa e ethos econômico.
Vejamos por quê. Dentro do variado horizonte evangélico-pentecostal, a Igreja Universal do Reino de Deus, professora da teologia da prosperidade, destaca-se em função de sua rápida expansão. A igreja foi fundada no Rio de Janeiro em 1977. Em 1990, reunia 269 mil pessoas; em 2000, o número havia crescido para 2,1 milhões. Estima-se que hoje a Igreja Universal tenha cerca de 8 milhões de fiéis no país. Essa denominação pentecostal foi, e eventualmente ainda é, alvo de duras críticas por parte da mídia e da população em geral. Os megaeventos de cura contra o Diabo, organizados no espaço público, bem como seus projetos políticos, impressionam diferentes instâncias da sociedade desde o fim dos anos 1980. Grosso modo, essa igreja é continuamente acusada de utilizar uma linguagem proveniente do mercado e de servir-se da força persuasiva da televisão para manipular uma massa de fiéis não raro aludidos como ingênuos e ignorantes, e vistos como vítimas de uma mensagem teológica vazia.

O que dizem os fiéis?
Contudo, embora a Igreja Universal tenha motivado muitas análises, pouca ênfase tem sido devotada à compreensão de seus fiéis. Para numerosos pesquisadores, normalmente atentos aos templos situados nas grandes avenidas das cidades brasileiras, essas pessoas buscariam ali uma resposta imediata para suas aflições cotidianas e seus anseios de ascensão social. Mas como explicam sua experiência de fé aqueles que frequentam os templos menores, próximos a seu cotidiano nas franjas da vida urbana? Por que grande parte dos pobres deste país tem procurado especificamente na teologia da prosperidade, sobretudo desde os anos 1990, soluções para os males que os atingem? Inspirada no "Faith Movement" norte-americano, essa teologia iniciou sua penetração em muitas igrejas brasileiras no fim dos anos 1970. No sistema cosmológico da Igreja Universal, assim como na Igreja Renascer, na Nova Vida e em outras, a plenitude é um valor central. O desfrute mundano da fortuna é coisa sagrada. Essa teologia prega que, por meio da força performativa das palavras, o fiel pode neutralizar o Demônio, responsável pelos males que se impõem à vida, e ter acesso a tudo de bom que a existência terrena pode oferecer: saúde perfeita, harmonia conjugal e riqueza material. A relação entre o cristão e Deus é contratual: para receber a graça do Senhor, o cristão deve viver de acordo com a fé, ir regularmente à igreja, entregar com assiduidade o dízimo previsto na Bíblia, fazer as ofertas e "tomar uma atitude". A teologia da prosperidade revê a antinomia entre cristianismo e desfrute mundano da fortuna. Sua mensagem moral liberta os fiéis das exigências ascéticas determinadas pelo calvinismo e pelas denominações pentecostais tradicionais. Seus crentes estão destinados a viver em harmonia familiar e a serem saudáveis e vitoriosos em todos os empreendimentos terrenos se demonstrarem confiança incondicional em Deus. O fiel dessa teologia entende que Deus deseja uma vida de plenitude a quem trabalha com afinco e vive de acordo com os preceitos da fé. O bom cristão pode -e deve- determinar seu acesso a tudo de bom que a vida oferece. Assim, por um lado há uma continuidade entre o protestantismo histórico e a teologia da prosperidade no que se refere ao rigor diante da obediência religiosa e do trabalho. Por outro, enquanto a ética calvinista da predestinação impunha aos crentes uma atitude ascética, a teologia da prosperidade sacraliza o usufruto imediato das possibilidades aquisitivas conquistadas pelo fiel. Por que, precisamente na década de 1990, parcelas crescentes das camadas populares urbanas deixaram de buscar na religião apenas orientação sobre como sofrer ou como lidar com a impotência em face da agonia familiar? Por que os pobres brasileiros não mais se sentem satisfeitos e recompensados pela ideia de que Deus todo amoroso lhes atribuiu uma tarefa, como diria Weber, ou, por que, contrariando Pascal, sua aposta na existência de Deus não pode mais prescindir de provas factuais?
Tenho argumentado contra a visão de que, para os pobres, largamente expostos ao desemprego ou ao subemprego, a atratividade da teologia da prosperidade de um modo geral, e da Igreja Universal, em particular, reside na promessa de prosperidade promovida por meio de uma vigorosa estratégia proselitista. Essa hipótese não explica por que essa teologia professada desde a fundação da igreja em 1977 se torna atraente, a ponto de ampliar seu número de fiéis em 25% a cada ano, justo na década de 1990.
Recuso a associação imediata entre pobreza e participação religiosa por dois motivos: 1) é mais do que sabido que, embora maciça, a adesão religiosa não é a única via nas camadas populares; 2) nos casos de conversão, as possibilidades presentes no mundo contemporâneo são diversas entre si. Basta vencer a superfície para se verificar que essa diversidade é interna inclusive ao pentecostalismo, muitas vezes tratado como algo uniforme.

Ressonâncias

Penso que o crescimento da teologia da prosperidade acontece nesse momento porque é quando os símbolos articulados em sua mensagem pastoral -e mesmo a própria mensagem- encontram ressonância no sistema simbólico que atravessa a experiência social brasileira de maneira mais ampla. No contexto social em que essas igrejas vicejam, a pobreza sempre foi uma fonte de dificuldades. Não obstante, até a década de 1990, os baixos números sobre sua penetração indicam que o conceito de compensação neste mundo (central na teologia da prosperidade) não havia alcançado a mesma legitimidade religiosa e, portanto, o mesmo apelo entre os pobres, que vem a ter então. Desde os anos 1990, quando a política econômica e social brasileira acata os postulados do capitalismo pós-social, princípios e termos tomados de empréstimo do campo semântico do empreendedorismo neoliberal ganham exposição insistente na mídia audiovisual e impressa, fornecendo sentido a grande parcela das relações no Brasil. Na segunda metade da década, os meios de comunicação, de maneira hegemônica, passaram a tratar o sucesso econômico e, consequentemente, o acesso ao mundo do consumo como resultado do empenho empreendedor individual. A Igreja Universal prega que a salvação acontecerá no mundo para todo aquele que aceitar a palavra sagrada e se empenhar no trabalho. Mais do que em outras denominações pentecostais, essa igreja imprime um tom pedagógico a seus cultos à prosperidade. Durante as reuniões, os fiéis pedem a vitória, cantam por ela, pagam o dízimo por ela e aprendem sobre como alcançá-la com o clero, que lê e comenta casos simples de sucesso em marketing quase toda semana. A pesquisa antropológica não é capaz de verificar se a fatia da população que tem sido considerada a nova classe média é a mesma que está presente nas igrejas professoras da teologia da prosperidade. Mas a etnografia tem demonstrado que os fiéis dessas igrejas falam com entusiasmo sobre o alcance de uma vida melhor a partir da conversão e que essa vida melhor envolve, entre outros fatores, um acesso alargado a bens de consumo.

Artigo de Diana Lima ,professora do departamento de sociologia do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro), no Caderno Mais! da Folha de ontem.

Obama: África também é culpada por seus males



O presidente americano, Barack Obama, desembarca no aeroporto de Accra acompanhado de sua mulher, Michelle, e suas filhas. Essa é a sua primeira viagem à África subsaariana desde a posse.



Em um discurso no Parlamento de Gana, uma das poucas democracias estáveis na África subsaariana, o presidente dos EUA, Barack Obama, filho de um africano do Quênia, disse ontem que a pobreza, a corrupção e os conflitos nos países da região não podem ser creditados apenas ao colonialismo europeu e que os governos locais também devem ser responsabilizados."É fácil apontar responsáveis e colocar a culpa por esses problemas em outros. Sim, um mapa colonial que fazia pouco sentido gerou conflitos, e o Ocidente tem frequentemente lidado com a África como um patrão, e não como um parceiro", ele disse.Mas não são os países colonizadores, continuou, os culpados "pela destruição da economia do Zimbábue na última década" (o país tem o maior índice de inflação do mundo), por "guerras em que crianças são recrutadas como soldados" ou pelas frequentes práticas de corrupção na África.Obama instou os países africanos a serem menos corruptos e mais democráticos, afirmando que esse é o único caminho para que a região possa superar seus problemas e se tornar mais próspera. "A África não precisa de líderes fortes, mas de instituições sólidas", declarou.Como havia feito no discurso ao mundo islâmico, no Egito, há um mês, o presidente dos EUA procurou chamar atenção para elementos de união entre o seu país e os interlocutores. Nos dois casos, ele usou a si próprio como exemplo.Aos muçulmanos, lembrou seu nome do meio, "Hussein". Ontem, declarou: "Tenho o sangue da África em mim. Meu avô foi cozinheiro para os britânicos no Quênia".Ele ressaltou que "o futuro da África depende dos africanos", e adaptou o seu mote de campanha, para afirmar: "Sim, vocês podem". "O desenvolvimento depende de bons governos. Esse é o ingrediente que tem faltado em muitos lugares, por muito tempo. Essa é a mudança que pode destravar o potencial africano."ExemplosObama, que foi recebido com festa nas ruas para sua curta visita a Gana, de menos de 24 horas, disse que "nenhum país criará riqueza se seus líderes explorarem a economia para seu próprio enriquecimento, ou se a polícia puder ser comprada por traficantes"."Nenhuma empresa quer investir num lugar em que o governo fique com 20% [do lucro de seus negócios], ou onde as autoridades portuárias sejam corruptas. Nenhuma pessoa quer viver numa sociedade em que o Estado de Direito dá a vez ao poder da brutalidade e da corrupção. Isso não é democracia, isso é tirania, e agora é a hora de que isso chegue ao fim."Ele também louvou Gana como um bom exemplo para o continente, dizendo que o país mostra "uma face da África que é frequentemente ignorada por um mundo que vê na região apenas tragédias e a necessidade de caridade"."O povo de Gana trabalhou duro para consolidar sua democracia, com transferências de poder pacíficas. Com um governo melhor e a emergência da sociedade civil, a economia tem mostrado impressionantes índices de crescimento."Outro exemplo mencionado por Obama foi o dos negros americanos, que conseguiram ser bem sucedidos "em todos os setores da sociedade" por causa de instituições fortes, ele disse. Antes de seu discurso, os parlamentares locais o saudaram com gritos de "yes, we can" ("sim, nós podemos"), lema de campanha do americano.Ontem ainda, ao final de sua viagem ao país, Obama visitou um forte local de onde africanos eram embarcados como cativos para a América. Sua mulher, Michelle, é descendente de escravos.

O RS da Galhofa


Presidente do CPERS protocola pedido de impeachment contra governadora Yeda (PSDB-RS).

Muito bom o artigo do advogado Carlos Dirnei Fogaça Maidana publicado na ZH de ontem.

Salário do magistério. Mas que salário?

Trata-se de uma galhofa a discussão travada entre o Cpers e o governo do Estado, através da SEC, sobre a média salarial do magistério.De um lado, temos o Cpers, uma entidade de classe incompetente na sua função, apenas com a representatividade legal da classe, já que hoje não possui mais liderança; por isso não consegue discutir com objetividade os demais problemas da educação, restringindo-se a questões de ordem salarial. De outro, um governo de Estado fracassado e frágil capitulando para os segmentos com maior poder de pressão; contudo, empedernido para com os desprovidos de uma representação efetiva, no caso, os professores.Carente de uma postura adequada, o Cpers não discute e não procura desenvolver o processo ensino-aprendizagem, comprometendo, dessa forma, a ação basilar do aperfeiçoamento integral do aluno, o que diminui, sobremaneira, a capacidade do educando de aprender a conviver em sociedade, ser civilizado, polido e cortês.

É possível, nesta linha de raciocínio, imaginar a omissão dos educadores e governantes como a causa do aumento da criminalidade.Tanto o Cpers quanto o governo do Estado se mostram incompetentes, também, por não conseguirem implementar, no sistema educacional, efetivamente, a educação inclusiva, razão pela qual não se diminui o distanciamento entre as políticas públicas de inclusão e as práticas de educação formal.A educação, como processo do ensinar e do aprender, é uma realidade em constante evolução; então, a prática educativa formal deve ser motivo de debates e aprimoramentos permanentes. O Cpers, entretanto, não discute educação. Discute salários e vantagens pessoais. O governo do Estado, por sua vez, não é diferente. Pensa na arrecadação, porém para investimentos em áreas de menor importância social, desconsiderando que aplicação em educação não é gasto e sim poderoso recurso de prevenção, formador de cidadãos produtivos, críticos, conscientes. Investir na educação é garantir o retorno para uma sociedade mais justa e equilibrada.

O governo Yeda, engessado por uma estrutura de poder putrefato, com ameaças de investigação, com denúncias não esclarecidas de uso do poder para autoproteção, bem como com suspeita de colaboradores envolvidos em práticas não recomendáveis para quem exerce cargo público, é inábil para administrar um Estado que exige um governante corajoso, empreendedor e competente, comprometido com a ética e a seriedade.
A governadora Yeda está perdendo a grande oportunidade de presentear o povo gaúcho com uma gestão austera e objetiva, com determinação para remover os entulhos administrativos que comprometem a estrutura de poder e prejudicam todos, mas, de maneira especial, os necessitados de remédios, de hospitais, de escolas, de segurança.
É incompetente o governante que conhece a realidade da sua administração e dos seus liderados e, por submissão, nada faz para resolver os problemas sociais, transigindo em nome daquilo que não é do interesse público, mas sim de grupos de interesses.A governadora deveria estar discutindo a diminuição do teto salarial, que é de R$ 22.111,25, ao invés de fomentar uma polêmica inócua sobre a média salarial do magistério, se é mais ou menos do que R$ 1 mil. Deveria, da mesma forma, questionar, no STF, a constitucionalidade da lei das incorporações de funções gratificadas, que, vergonhosamente, permite que o governo do Estado remunere uma função gratificada por inúmeras vezes, contrariando o bom senso, a probidade administrativa e a legalidade dos atos administrativos.Se considerarmos a remuneração dos servidores públicos do Estado do Rio Grande do Sul, podemos afirmar, com segurança, que o professor recebe uma espórtula e não um salário, motivo por que é preciso rever e resolver tal situação vexatória em nome da cidadania e da dignidade humana, valorizando o educador com um salário decente, que lhe dê tranquilidade para exercer suas tarefas docentes de forma qualificada.